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Uma estrela chamada…

Percurso académico de uma aluna com Síndrome de Asperger relatado pela sua professora do 1º Ciclo do Ensino Básico

 

Aos sete anos de idade e após realizar adiamento de matrícula a menina foi-nos apresentada pela mãe e pela docente do ensino especial que a havia acompanhado até então. Era visível o nervosismo da mãe, ansiosa por verificar como seria este nosso primeiro encontro, já que no ano anterior havia sido realizada uma tentativa de a colocar numa turma do 1º Ano de Escolaridade mas, sem sucesso. Também nós estavámos um pouco ansiosas. Apesar de ao longo de vários anos termos trabalhado com muitos alunos com Necessidades Educativas Especiais, nunca havíamos realizado um trabalho com alunos com esta problemática.

Em conversas preliminares com a docente do ensino especial que a acompanhava até então, ficámos a saber que a menina apresentava dificuldades ao nível da interacção pessoal, na comunicação, hipersensibilidade aos estímulos sensoriais (especialmente os sonoros) e uma linguagem muito peculiar que a demarcava de todos os outros meninos. Procurámos numa primeira fase tranquilizar a mãe, garantindo-lhe que tudo faríamos para a menina integrar a turma do 1º Ano, que nos era atribuída.

 Recordo que o nosso primeiro contacto (?) foi à volta de uma bola que a aluna insistia em enviar-me esperando que eu a devolvesse de imediato sem contudo, nunca olhar para o meu rosto. Hoje, olhando para trás, concluo o quanto foi importante, para ambas, aquele momento.

 A integração na turma do 1º Ano concretizou-se sem grandes sobressaltos muito embora, tenham sido feitas algumas alterações para garantir a tranquilidade da aluna nomeadamente, a mudança de sala. (nunca conseguiu entrar na primeira que inicialmente nos havia sido atribuída)

À turma foram explicadas, com toda a clareza possível, as características da aluna e apelou-se para a sua colaboração no acompanhamento e compreensão da sua diferença. Desde a primeira hora, revelaram-se solidários e muito amigos, situação que, felizmente, se mantém até à presente data.

A aprendizagem da leitura e da escrita realizou-se mediante a aplicação do método das 28 palavras. Foi um processo célere e muito motivante para a aluna. Aprendeu a ler rapidamente e cedo manifestou o gosto pela literatura infantil.

Ao longo do 1º Ciclo acompanhou o currículo escolar proposto sem terem sido feitas grandes adaptações curriculares. A área da escrita criativa era aquela em que revelava menor apetência pelo facto de ser muito sintética na exposição das suas ideias.

Por outro lado, era extremamente criativa na área do desenho. Os seus trabalhos revestiam-se de inúmeros pormenores que a todos encantavam. Nos trabalhos de grupo, era constantemente requisitada para elaborar desenhos minuciosos que reproduzia com invulgar facilidade. Adorava desenhar extraterrestres e monstros aos quais colocava uma expressão feliz.

Nos 1º e 2º anos de escolaridade, era frequente desenhar as palavras como se fossem animadas, acrescentando-lhes pormenores como olhos, sorrisos, mãos…

            Beneficiou sempre de apoio educativo, em contexto sala de aula (situação que se revelou muito proveitosa para a aluna e restante turma) por parte de um professor especializado. Inicialmente (1º e 2º Ano de escolaridade) frequentava uma Uneca a tempo parcial (50%). Nos 3º e 4º Anos de escolaridade o tempo de permanência na Uneca foi substancialmente diminuído e passou a estar mais tempo na turma do regular o que se revelou muito positivo para o desenvolvimento pessoal e académico da aluna.

            A aluna concluiu, com aproveitamento, o 4º Ano de Escolaridade. Para este facto contribuíram vários factores: o seu esforço pessoal, o apoio da família, dos professores e dos colegas de turma que sempre a apoiaram e estimularam. Actualmente, está a finalizar o 6º Ano de Escolaridade e irá prosseguir estudos no 3º Ciclo do Ensino Básico.

O percurso académico, bem sucedido, da aluna é para todos nós motivo de grande orgulho e de esperança no futuro. Sentimo-nos gratas pela oportunidade de a conhecer. O brilho desta estrela é único. Espero ter a oportunidade de a ver brilhar por muitos e felizes anos.

Cristina Ferreira

Uma animação a não perder realizada por jovens com Síndrome de Asperger.

Um vídeo (espanhol) que homenegeia os alunos da Aula de Autismo do C.E.I.P Francisco Giner de los Ríos de Mairena del Aljarafe em Sevilla.

A turma da Mónica

Um anuncio engraçado da Associação (brasileira) dos Amigos do Autista que recorreu ao cartoon “A turma da Mónica” para ajudar a sensibilizar a população para o autismo e as particularidades das pessoas com esta desordem de desenvolvimento.

David Jordan, portador de Síndrome de Asperger, fala na primeira pessoa sobre as suas dificuldades na socialização, em particular quando adolescente, mas também sobre os usufrutos da sua desordem. David acredita que, sem o seu interesse obcessivo por minerais, não teria conseguido doutorar-se em Geologia.

Dustin Hoffman e Tom Cruise protagonizam este filme que aborda a problemática do autismo. Hoffman representa o papel de um adulto autista, com uma inteligência normal, mas com dificuldades acentuadas na socialização e uma linguagem peculiar  entre outras características. A relação entre estes dois irmãos evolui de uma situação de algum incómodo e incompreensão por parte do irmão mais novo relativamente à postura do mais velho, autista, até a uma situação de aceitação e protecção de um irmão “altamente funcionante” (Antunes, 2009).

Para além de nos dar a oportunidade de conhecer a realidade de um adulto autista, este filme convida-nos a reflectir sobre as relações fraternais em famílias que se deparam com esta problemática.

Um filme enternecedor que nos alerta para a questão das relações afectivas entre e com os indivíduos que apresentam dificuldades na interacção social. Considerando as características dos jovens Asperger (dificuldade na interacção social, na comunicação verbal e não verbal, em criar empatia e hipersensibilidade aos estímulos sensoriais), facilmente se compreende que a adolescência, período em que “floresce o desejo de intimidade e o amor erótico” (Antunes, 2009) se traduza para estes jovens num período complexo.

Um filme a não perder para quem deseja conhecer e compreender o “ritmo das emoções” dos jovens com SA.

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